Imagem

Brainstorming

4 out

IMG_20151004_212109

Anúncios

Querido empresário,

4 dez

Para escrever esta “carta de apresentação”, como indicado no site, tentei viajar até as minhas impressões mais remotas. As minhas lembranças da fase escolar guardam muitos nomes, momentos e aprendizados. Sou capaz de me lembrar da professora da primeira série, por quem eu tinha muito carinho, ou a da quinta série, a quem culpei durante muitos anos ser responsável por minha primeira recuperação em matemática.

Está claramente registrada em minha memória a extrema timidez em qualquer atuação em sala de aula, a sensação de fracasso por nunca ter sido, de fato, uma aluna exemplar, por não conseguir dedicar muitas horas de atenção ao estudo, pela distração: as minhas fantasias e sonhos insistiam em me tomar nos momentos mais indevidos. Lembro-me de cada choro quando acabava fadada à insistente recuperação nas disciplinas exatas e, com a mesma intensidade, dos bilhetinhos em forma de poema que recebia de meu pai junto com a lancheira que eu havia esquecido em casa.

Meu pai, Paulinho Diniz, foi poeta, compositor, sambista, teve músicas gravadas por grandes nomes da MPB. (por uma ironia – coincidência?- do destino, hoje completo cinco anos de sua ausência definitiva). Eu cresci com esta sensação de que esta casa, feita de arte, era mesmo a minha. Passei a minha primeira infância cantando escondido – e com muito esforço, tentando encarar algum público, participando do que havia de mais prazeroso em minha escola: os tradicionais festivais de música e os corais – mas a timidez e a sensação de que poderia ser reprovada me intimidavam. Hoje, é nítida a importância da música em minha vida. Não me interessava a exatidão. Costumo dizer, inclusive, que se eu tivesse aprendido mais cedo que música e matemática pertenciam ao mesmo matiz, teria enfrentado alguns de meus fantasmas sem medo. Não me foram dadas oportunidades para ultrapassar este obstáculo, de perceber que era, sim, perfeitamente possível a superação deste problema. Eu quis, mas não encontrei espaço para mudar e, assim, meu destino acabou por não andar de mãos dadas com os números.

Esta paixão, posteriormente, ganhou da perversidade de se trabalhar com o que não se gosta, e eu acabei cantando. Caminhando e cantando. Minha mãe, que nunca me desaprovou e torceu por meu êxito, brincava: “Mariana canta, Paulinho toca e eu balanço a cuia, pra pegar o dinheiro.” O que aconteceu foi que, depois de me dedicar e priorizar a música por algum tempo, – indo morar no Rio de Janeiro, gravar um álbum e tentar a sorte – a cuia ficou fazia, o que me trouxe de volta a Salvador (2010), tentando levar à superfície minha outra paixão, a Educação, na tentativa de me sustentar com algo que me motivasse, já que minha formação em Letras tinha me dado, além de conhecimento, muita alegria. Não sem alguma subversão, é claro. Pretendo fazer da educação, canção. Isto me lembra um teórico da área educacional, quando diz que ” Pela imaginação o homem se afirma como um rebelde. Um rebelde que nega o existente e propõe o que ainda não existe. E assim, ‘a rebeldia é a pressuposição básica de qualquer ato criativo. Ao ordenar e plantar um jardim nos rebelamos contra a aridez da natureza. Ao lutar contra a enfermidade nos rebelamos contra o sofrimento. Dizemos uma palavra de alento porque nos rebelamos contra a solidão. (João Francisco Duarte Junior em “Fundamentos estéticos da educação.”)

Esta angústia me consome porque o que penso, fundamentalmente, sobre o processo educativo – e que tento fazer na prática – é que o mesmo deve ser capaz de: do ponto de vista do aprendizado, estimular a autonomia dos estudantes, o espírito investigativo, reflexivo; motivar a busca de saberes multi e transdisciplinarmente e deve, sobretudo, discutir a diversidade, as diferenças, considerar os contextos de vida, buscar a reflexão sobre os sentidos e os significados das escolhas e seus desdobramentos sobre o cotidiano. Parece-me, às vezes, que tais janelas não foram abertas e que minha escola não foi mais do que uma casa de portas fechadas.

Toda vez que tento rememorar acabo, sempre, caindo na armadilha de enxergar muito mais o lado ruim. Ajo como uma amadora que tende a culpar os pais de maneira imediata e muito superficialmente. Mas é que neste momento eu tenho voz e, assim, parece que meu passado pode me ouvir. Não é desta maneira que mudamos o futuro?

Enfim, durante minha jornada foi a literatura que me fez confiar no tempo. E nos meus tempos. Basta-me paciência para esperar o tempo em que estarei, definitivamente, trabalhando e me sustentando com o que realmente gosto. (Eis-me aqui, fingindo respeitar o tempo quando me entrego inescrupulosamente à ansiedade).

Hoje, depois de algumas tentativas de ingresso regular no mestrado – em que passo em todas as etapas, mas perco na avaliação do anteprojeto, o que denuncia sua fragilidade – venho tentando descobrir os caminhos que minha pesquisa irá tomar. A pós graduação em Educação, as disciplinas de Mestrado que cumpri como aluna especial e a minha experiência profissional na área de comunicação e cultura acabaram por me indicar um caminho. O que eu sabia, até então, era que queria atuar em Educação, entrelaçá-la com arte, tratar, potencialmente, das questões de exclusão e, isto tudo, no cenário dos direitos humanos, da diversidade. É inegável a influência de minha mãe neste processo, socióloga e mestre em educação e pluralidade cultural  (tratando da educação indígena); ela trabalha cotidianamente com tais questões, o que me incentiva e me orgulha.

O que posso acrescentar sobre mim e minha vida real é que o último ano trouxe mais um aprendizado aclarador: na exaustiva e cruel preparação para concurso público (focado para os Tribunais Regionais do Trabalho) tive acesso a um conhecimento no qual jamais pude crer que algum dia iria me afinar: não somente o estudo jurídico, das disciplinas do direito, mas, sobretudo, o direito do trabalho. A grata surpresa de ver na letra da lei o quanto tudo isto é/pode ser ligado à educação foi surpreendente e animador. É preciso registrar, ainda, o quanto esta jornada preparatória me ensinou sobre mim, sobre minhas armas e minhas fragilidades; o quanto lidar diariamente com o próprio espelho me fortaleceu, me deu coragem e persistência, embora tenha sido, naturalmente, um processo de muita dor.

Bem, finalizo reconhecendo um defeito notório que tenho: sou prolixa. Nas minhas circunstâncias, também não posso negar: tenho urgência. Mas cultivo a esperança de que nestas linhas esteja clara a minha paixão, a minha vontade, a minha sede. Espero, profundamente, que haja aí, na sua empresa, uma sala, uma cadeira, uma esquina, uma rua ou janela em que eu possa atuar.

Muito grata pela atenção,

Mariana Diniz

miagra4

(Foto: Paulinha Barreto; Instagram: @paulinhabar )

After hours

11 mar

O alarme toca, anunciando minhas urgências. A solidão é gaiola, a angústia hipnotiza e alimenta. A disposição está em outro quintal. Nada é novo, não tenho par e nunca me fizeram uma canção de amor.

Não me responsabilizo por esta dor: ela está aqui, mas não é minha, não a possuo. Minhas mãos tremem, minha consciência fede; mal sei narrar tamanha aflição. Admiro os bravos, admiro os livres, admiro os que calam – e os que gritam. No meu reino, sou vagabundo – e não há mente que suporte… Eu não sei reinar. Talvez seja isso. É isso, finalmente: não me falta apenas o brilho dos reis; falta-me a quietude do palácio, a petulância de quem governa, o silêncio dos segredos e me sobram sonhos, todos eles. Em  palácios não é permitido sonhar.

Eu, você, o outro. Voutro, ou, eocê. Vejo embaçado, tropeço as palavras, não consigo respirar. Palácio, barraco. Sonhos e solidão moram em todo lugar. É que da minha janela só vejo aquilo que convém…
O alarme retoma seu ritmo. É hora! É chegada a hora. Fui eu mesma quem o programou para tocar agora. Agorinha, neste mesmo instante; mas, sigo aqui , parada. Paralisada.
Estou grata por este rascunho, por este fio de inspiração, afinal, escrever tem de servir para algo- embora no final, como eu, não sirva mesmo para nada.
Image
( Foto/arte por Gaby Herbstein http://www.gabyherbstein.com/ )
p.s. não a conheço, encontrei através do Pinterest.
Nota 11 nov

Um rapaz sentando no banco lendo um livro- e não é a bíblia! Quase ao lado, um garoto solitário ensaia uma dor no violão. Duas bicicletas públicas fazem a volta e se beijam. Debaixo da árvore um jovem casal se apaixona e, no parquinho, crianças brincam de infância.

Todo poeta deveria morar em frente a uma praça. : )

***

*Vejo letras, músicas e dezenas de fotografias. Definitivamente, não consigo me concentrar nos estudos aqui!

** “As vítimas são pessoas inteligentes, que pensam em vários assuntos ao mesmo tempo, mas sofrem com a dificuldade para organizar as idéias […] Entre os sintomas estão a dificuldade de concentração e de se planejar, baixa auto-estima e impulsividade – a pessoa pode falar muito, comer, gastar e até trabalhar muito, mas detesta seguir uma rotina.”  : p : D

Image

Vídeo

Cabô :(

8 jul

Registro que fiz na na Festa literária internacional de Paraty- RJ

(Em 2009, hehe)

Nem só de flores…

10 jun

“-É, eu acho que não há mais nada que eu ou você possa dizer para salvar essa noite.”, ele concluiu. Ela, apática, resignada,  suspirou: “É, concordo…”.

E aquela foi a primeira vez, em cinco anos, que eles tinham concordado com algo. Estava no ar: não era só aquela noite que não seria salva.

O cheiro da despedida e seus clichês literários, um fim que se repetia como em tantos outros casais. A dificuldade de enxergar, nesse momento, era intensa. Havia uma nuvem, uma fumaça e eles pareciam ébrios.

Os dois, nus, ensaiando a melhor maneira de se descolar, procurando uma hipótese para tudo não ter passado de um acontecimento trivial, estudando teorias que pudessem comprovar que aquele amor superaria o chamado de encerramento.

Duas pessoas, duas vidas, dois relacionamentos. Ele, de gêmeos, ela, libra, mas parecia não haver ar suficiente. Estavam sufocados, presos em suas próprias versões, em seu olhares, cegos de certezas, verdades absolutamente individuais. De repente, não eram mais um só; nunca planejaram ser um só, mas, em um momento, fundiram-se; e, agora, desfizeram-se. Finalmente.


Image

**Significado de Incompatibilidade

s.f. Ausência de compatibilidade; característica do que é incompatível ou daquilo que não se pode combinar: separaram-se por incompatibilidade de opiniões.
Jurídico. Impossibilidade legal que, imposta a um funcionário, o impede de acumular cargos e/ou funções de ordem pública.
Lógica. Incapacidade de que duas proposições distintas sejam simultaneamente verdadeiras .
(Etm. incompatível – vel + bil(i) + dade)

Après-coup

17 abr

Tá, eu voltei a fazer terapia.
Acho tão chic falar assim: “Faço terapia”. Parece coisa de rico. Mas, bem, zero glamour, por aqui: fazer análise é caro, olhar fundo nos olhos de um desconhecido é desconcertante e deitar no divã dói.
Mas, olha, há algo fundamental que me trouxe de volta a uma sessão: a convicção de que a análise, um dia, me trouxe claridade. E eu estava mesmo precisando enxergar melhor.

Algumas questões e sentimentos me levaram até a psicanálise, da primeira vez; o medo foi, sem dúvida, o ponto de partida. Mas, em seguida, vieram os questionamentos acerca do desejo, da angústia, da melancolia, da ansiedade… E eu ainda era uma menina novinha que acabara de ler “O segundo sexo”, de Simone de Beauvoir, e Freud não era, portanto, uma figura por quem eu tinha, exatamente, simpatia. – Curioso como tempo, disposição e profundidade são capazes de mudar conceitos que temos sobre determinados sujeitos.- Bem, vocês já imaginam: Dr. Freud virou meu guia para alguns dos mistérios (sobre mim mesma) que eu precisava desvendar.

Essa minha ligação com a arte, a afinidade acolhedora que encontrei na literatura, a sensação de conforto com as palavras, tão doídas, tão cortantes como as de alguns escritores acabaram por me ninar- afinal, uma pessoa que tem como sua bíblia “O livro do desassossego”, de Bernardo Soares (F.Pessoa), como eu, só poderia ter muito a resolver.
Veja bem, no início deste processo todo eu culpei meus pais, é claaro, hehe, mas, hoje, culpo a literatura.

***

Eu e a minha irmã, que é mais velha do que eu e nunca morou comigo, curiosamente é leonina, como eu, medrosa, como eu, corajosa, como eu (e pode? Rs), e, de analisada, acabou fazendo a formação psicanalítica, apesar  de não exercer em consultório. Caminho que eu quase segui, não fosse a minha caminhada torta pelas artes e pela Academia. Aqui em casa tem um livro presenteado por ela, chama-se “Em que creem os que não creem?”, uma coletânea de diálogos entre um ateu e um crente, Umberto Eco e Carlo Maria Martini. Eco, em uma de suas falas, suspeita: “Mas a força dos fantasmas está justamente em sua irrealidade.” (p.15). O que me remete, imediatamente, a Borges, em “O Aleph”: Facilmente aceitamos a realidade, talvez por intuirmos que nada é real”. E Pessoa, gente, Pessoa!:  A literatura, que é arte casada com o pensamento e a realização sem a mácula da realidade, parece-me ser o fim para que deveria tender todo o esforço humano, se fosse verdadeiramente humano e não uma superfluidade do animal. Creio que dizer uma coisa é conservar-lhe a virtude e tirar-lhe o terror (2004, p. 68). Vocês conseguem sentir a sequência lógica nisso tudo? Vocês percebem como literatura e psicanálise estão, aqui, entrelaçados, ou eu estou mesmo ficando doida? Já me diria uma ex sogra, (adivinhem!), psicanalista: “Não fica louco quem quer”. Daquelas chacoalhadas que a gente precisa ter, para acordar.

*
Guimarães Rosa, na voz de Riobaldo, repetia, incansável: “Viver é muito perigoso…” (G.S. Veredas);
Borges, em seu personagem assustado: “Viver, para mim, é um espanto muito grande.”; e Mário de Andrade, bravejava que a arte “não é só beleza; por mais pensada, é feita com carne, com sangue, espírito e tumulto de amor (Espinheira, 2001).
Assim também é a vida, mas não confundam. Hoje eu sou só devaneio.

.

 

Image

p.s. As referências não estão nas normas ~da ABNT~ porque isso não é um trabalho acadêmico, mas se alguém quiser tê-las, email me! ; )

 

p.s2 nesta minha anarquia, os grifos também são meus : )